Nestes 600 anos de nascimento da lendária Joana D’Arc (1412-1431), destaco um livro cujo título é simples e direto: “A Vida de Joana D’Arc” (Editora Globo, 1978), de Érico Veríssimo. Conforme anuncia, o livro aborda do nascimento à execução na fogueira daquela que foi considerada heroína de uma guerra (a dos “Cem Anos”- 1337-1453) e séculos depois, elevada à condição de santa (padroeira da França).
Como para falar sobre Joana D’Arc é necessário retornar séculos no tempo, existem várias versões de episódios envolvendo o nome da “Donzela”. Bom, mas se escritores, cineastas e outros interessados na vida de personagens históricos levassem à risca a necessidade de se comprovar todos os detalhes, não teríamos tantas produções sobre Cleópatra (69? a.C- 30 a.C), a rainha do Egito, por exemplo. No caso da figura principal deste texto, Veríssimo explica no prefácio do livro (o prefácio foi escrito em 1960, quase 30 após a publicação da primeira edição):
“Acabei mandando para o diabo todas as limitações [editoriais] e escrevi a história como achei que devia escrevê-la, sem pensar em conveniências tipográficas nem na idade de seus possíveis leitores. O resultado é este livro em que a vida da Donzela aparece romanceada até onde foi possível fazer isso sem trair a verdade histórica”.
Veríssimo, que ainda no prefácio se diz um “fascinado” por Joana D’Arc, apesar de ter realizado uma grande pesquisa histórica sobre a Donzela, realmente romanceou a sua vida até onde foi possível (!). A primeira impressão sobre a “menina Joana” (ou “Joaninha”) é como sendo meiga com seus amiguinhos, doce com os seus animais, plantas e rio, além de muito trabalhadora e religiosa. O autor, que diz dar ao texto “riqueza de cores”, acaba exagerando, muitas vezes, em suas pinceladas, e o resultado é um excesso de cores (principalmente no começo do livro), onde até o burrinho de Joana é repleto da melhor “pureza animal”. Ao destacar as crendices de Domrémy, na Lorena (onde a francesa Joana nasceu) do começo do século XV, como a de fadas que habitam em bosques, pensa-se que durante a infância, Joana estaria apta a protagonizar um conto-de-fadas, onde (quase) tudo era belo e perfeito. Se a guerra contra os ingleses criava rixas entre a população local, isto, a princípio, não interessava tanto à garota, que além de não compreender o que se passava, tinha como principal interesse a devoção por santos.
Como diz a História (neste caso, não necessariamente me refiro ao livro de Veríssimo), Joana D’Arc, que via a imagem espiritual de santos e recebia mensagens destes, tornou-se conhecida graças a estas visões: envolveu-se com a guerra, defendendo o seu povo e conseguindo algumas vitórias (eis a heroína), mas acabou sendo presa, julgada e condenada à morte por heresia. Na história de Veríssimo, os santos foram claros com Joana sobre o fim de sua missão: tomar dos inimigos os lugares citados por eles e entregar a coroa ao rei Carlos VII (como bem dizia a profecia de que uma donzela montada em um cavalo e vestida como homem conseguiria). Mas a Donzela, agora transformada em heroína, não é mais a menina meiga da infância, e Veríssimo retira um pouco de “suas cores”, relembrando ao leitor (finalmente), que aquela história é real. Então, a heroína Joana, que só vê batalhas e conquistas pela frente, só quer lutar e tomar Paris, para também dá-la ao rei. Neste ponto, o biógrafo retrata as batalhas com as “cores certas”, ou seja: sem exceder ou faltar com adjetivos e verbos de ação.
No livro, as visões de Joana, além de darem ao texto a aura do momento, também trazem um breve retrato histórico da vida de lendárias e santas figuras, como Santa Catarina e Santa Margarida. Como o principal sobre a vida da Santa Joana D’Arc já é supostamente conhecido dos leitores, a associação que se tem com essas páginas é que se houve um grande sofrimento no instante da morte das primeiras santas (e páginas depois, no de Joana), ele será recompensado na passagem para o “reino dos céus”- como se já consolasse o leitor de que aquela terna menina, apesar da morte horrível que a esperava, teria o seu nome gratificado (mas neste caso, como explica Veríssimo no posfácio, o nome de Joana D’Arc só ganhou reconhecimento cinco séculos depois de sua morte).
Independente do fanatismo patriota ou religioso que se apossou da jovem de Domrémy, o fato é que Joana foi capturada e levada a julgamento (o próprio rei, Carlos VII, prefere esquecer aquela que o ajudou e preocupar-se apenas com a sua “vida de rei”, conforme mostra Veríssimo ao narrar os pensamentos de Carlos VII). Os "interrogadores" precisavam punir àquela que saiu de uma aldeia pobre e fez sucesso na França com a sua ousadia nas batalhas e palavras profanas! Que motivo mais óbvio para puni-la senão o seu fanatismo religioso, que agora, crescia em boatos pelas várias cidades francesas (Joana, com suas visões, era tida como milagrosa pela população)? Veríssimo é cauteloso com os detalhes de seus depoimentos, que se não seguem com rigor as palavras realmente ditas pela Donzela, ao menos seguem as palavras cravadas na História e tidas como suas. Assim, a herege, feiticeira e cismática Joana D’Arc foi queimada viva na fogueira aos dezenove anos de idade por não renunciar aos seus princípios (religiosos e de pátria- os "interrogadores" queriam que ela voltasse a se vestir com roupas femininas).
Já no posfácio, Veríssimo, que conversa com “Joaninha”, narra a ela muito do que se passou nos muitos e muitos anos seguintes: outras tantas guerras que vieram e se foram, bem como as invenções tecnológicas até o início do século XX. Mas finaliza, voltando às “cores do começo”, como se todos os burrinhos da Lorena tivessem as mesmas características amáveis daquele da menina Joana.
Fiori d'Autunno
"Só para raros".H.H.
venerdì 6 gennaio 2012
giovedì 5 gennaio 2012
A jovem e o bem-te-vi
Aos pés de uma colina descansava um vilarejo. Suas casinhas eram simples, mas agradáveis, com flores coloridas pelo chão. Homens e mulheres trabalhavam em suas lavouras, crianças brincavam com seus burricos e uma jovem cosia eternamente um pedaço de tecido. É preciso dizer que esta jovem tinha a pele fresca como as maçãs regadas com o sereno da noite, mas era também frágil como a um beija-flor; a pobrezinha era doente, ou melhor, seu coração era doente. Por isto, a jovem quase nunca saía de casa e passava os dias em seu quarto, a coser, coser, coser...
Só que agora, a jovem arranjara mais uma atividade para acompanhá-la na sua solidão: para a sua surpresa, seu coração, por mais doente que fosse, ainda tinha capacidade para pulsar ardentemente uma paixão; a jovenzinha amava! Amava já há algumas semanas, quando tivera autorização de sua avó (a jovem morava com a avó) para ver a festa dos lavradores que tinham feito uma ótima colheita aquele ano. Era certo que a jovem só podia permanecer no centro da vila por alguns minutos para ver homens, mulheres e crianças cantando, dançando e bebendo, porém, isto fora o suficiente para que ela visse no meio da pequena multidão um rapaz com olhos de oliva e com um sorriso doce como os favos de mel. A partir daquele instante, o coração doente da jovem mostrou-se capaz de também amar.
Desde então, a jovem cosia e amava, cosia e amava, cosia e amava. Também sonhava de vez em quando, e em seus sonhos, o rapaz também a amava e queria casar-se com ela.
Enquanto costurava, a jovem lançava olhares apaixonados e compridos para fora da janela de seu quarto... A agulha perfurava o pano, a linha fazia a sua marca e o tempo passava...
Não muito distante dali, morava um bem-te-vi, que gostava de se esconder nas árvores da colina. Certo dia, o bem-te-vi, sob muita coragem e determinação, resolveu alçar voo e voou lá para os lados do vilarejo. Voou, voou, observando a tudo e a todos, quando notou a presença de uma linda jovem que cosia distraidamente na janela de seu quarto. O coraçãozinho da avezinha vibrou de alegria e ele sacudiu suas peninhas de emoção.
Entretanto, no mesmo instante em que o bem-te-vi observava a jovem, a jovem notou que o rapaz que ela amava estava passando calmamente do lado de fora de sua janela. Trazia uma enxada nos ombros, além de seu sorriso de mel. O bem-te-vi namorava a jovem, que namorava o rapaz, que namorava o horizonte a sua frente. Eis então, que o bem-te-vi, do galho onde havia pousado, não aguentando mais a paixão em seu peito amarelo, explodiu a sua voz:
-Bem-te-vi! Bem-te-vi! Bem-te-vi!
A jovem deu um sobressalto com o que acabara de ouvir.
-Ele me viu?!
O rapaz parou a sua caminhada e buscou quem o havia citado de maneira tão carinhosa.
Porém, a jovem, envergonhada com àquele que havia descoberto o seu segredo, murchou o seu corpo na janela e o rapaz não soube jamais quem o havia visto. O bem-te-vi, por sua vez, voou até a janela da jovem e a encontrou encolhida em sua cadeira. Ele a denunciou:
-Bem, te vi! Bem, te vi!
A jovem, ao ver o real dono daquela voz, ficou furiosa com tamanho atrevimento que decidiu fechar para sempre a sua janela. Ela só não soube que o rapaz continuou a passar por ali e já desconfiava que a dona daquela voz morava atrás daquela janela.
Imagem: Emanuele Luzzati
sabato 12 novembre 2011
Me
Penso-me.
Esboço-me.
Rascunho-me.
Escrevo-me.
Repasso-me.
Sublinho-me.
Leio-me.
Imagem: Camille, de Monet
domenica 23 ottobre 2011
Anedotas da vida real (e meu estômago no meio delas)

*Logo pela manhã, no Sacolão da Economia, um grande cartaz anunciava a promoção do dia: "Giló e berigela 1 real".
*Certa vez, durante uma aula específica do curso, uma universitária perguntou à professora nascida em Minas Gerais:
-Professora, eu nunca me lembro: é Juiz de Fora a capital de Belo Horizonte?
*Três garotos conversavam. Dizia o primeiro:
-Eu não me lembro quase nada das regras de gramática.
-Eu também não- respondeu um deles.
O terceiro disse:
-Eu não me lembro nem o que é hiato.
-Disto eu me lembro- falou o primeiro. Então prosseguiu:
-Hiato é saúde!
*Uma cliente, antes de pagar o estacionamento do shopping, pergunta a uma funcionária do estabelecimento:
-Compras acima de 30 reais não se paga o estacionamento, não é isto?
-O estacionamento está sendo pago, minha senhora. Só foi aprovada uma eliminar até agora.
*Enquanto isto, no centro da cidade...
O trânsito estava parado em uma das faixas, pois os veículos aguardavam o sinal verde. Um dos carros tinha os vidros cobertos com longos dizeres religiosos. Subitamente, os olhos da motorista do carro de trás leem a seguinte frase: "descida onde você quer viver depois de morrer."
*Já na saída da cidade, uma casa muito humilde anunciava em sua parede:
"Vende-se caxorro pudo".
*Em outra casa (observação: longe da casa do "caxorro pudo"), o anúncio era:
"Arranca dente Promoção Só R$ 5".
*A cliente de um banco ainda esperava ser atendida, quando uma outra cliente sentou-se ao seu lado, também aguardando atendimento. Tocou o telefone celular da segunda:
-Alô?
-(...)
-Sim, estou aqui.
-(...)
-A estas alturas, Palmas inteira já está sabendo...
-(...)
-Ah, é! O Leandro me conversou...
A outra cliente deu um salto de seu lugar, tamanho foi o susto que levou!
*Uma escola de italiano promovia palestras sobre a cultura daquele país. A palestrante daquela noite, uma italiana de Bolonha, falava sobre os aspectos importantes de sua cidade e região, quando um homem-não-identificado invade a sala de aula.
-Good night, good night, good night!- disse o homem-não-identificado a cada um dos brasileiros ali presentes, que acompanhavam a palestra em italiano.
O homem-não-identificado sentou-se. A ministrante da noite continuou a falar em italiano sobre o seu assunto.
-Aqui é uma escola de italiano?!- berrou de repente o homem-não-identificado.
A responsável pela escola respondeu educadamente que sim.
-Pergunta pra ela sobre o Da Vinci- tornou a berrar o homem-não-identificado.
A diretora da escola traduziu em italiano a dúvida daquele senhor, ainda que a pergunta estivesse totalmente fora do contexto.
Dois minutos mais tarde e o homem-não-identificado volta a fazer-se notar:
-Sabe o que que é? Eu morei muitos anos nos Estados Unidos e acabei de voltar de lá. Queria aprender italiano. Qual é o método de vocês? Porque eu aprendi inglês através de uma bíblia em espanhol.
A responsável pela escola tentou explicar ao homem-não-identificado que aquele não era o momento mais adequado para se falar sobre isto, já que a moça ali na frente, estava tentando passar algum conhecimento da língua e da cultura italiana aos presentes, quando ele chegou.
-Ahhhh...- murmurou o homem-não-identificado. Então, ele levantou o seu pesado corpo da carteira e foi-se embora da mesma maneira como chegou:
-Good night, good night, good night!
Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência
venerdì 21 ottobre 2011
Chove no meu cartão-postal

Chove no meu cartão-postal e as ruas estão cheias de lama. São poças e poças de uma água que caiu do céu e meus pés estão sempre molhados- pés como tantos outros que caminham pelas avenidas, alamedas e sarjetas desta cidade.
Chove no meu cartão-postal e o céu é sempre cinza de dia e vermelho à noite, com suas nuvens carregadas de lágrimas e consolo. Sim, consolo-me quando chove, pois é quando lavo meus pensamentos junto com a água que escorre na vidraça.
Chove no meu cartão-postal e a cidade é um grande amontoado de guarda-chuvas coloridos, que juntos, formam um belo arco-íris no zoom de minhas pupilas. Ah, estes olhos que enxergam cores, que enxergam vida e que veem vida nas estações do ano: punhados e punhados de pessoas que vão e vem, tais como o inverno e o verão.
Chove no meu cartão-postal e eu só tenho gotas em meus dedos- gotas estas, que aguçam o meu tato, dando-lhe um pouco de frio ou de calor. Sinto um arrepio quente a percorrer meus braços: são as gotas de chuvas que viraram córregos de sensações em meus membros.
Chove no meu cartão-postal e eu escuto o seu ruído: chuá, chuá. Um barulho leve e confortante que produz notas musicais em meus ouvidos (talvez, a chuva não esteja cantando, mas contando-me a seu modo qualquer coisa que viu lá do alto, quando ainda pertencia às nuvens... mas eu, pobre ignorante que sou, não falo a língua das chuvas e tudo para mim resume-se a melodias...).
Chove no meu cartão-postal e as flores sacodem-se de alegria, dando olés no vento que as envolvem. Meu jardim sorri e é tudo o que me importa.
Chove no meu cartão-postal e a chuva manchou a minha escrita de tinta azul. Minhas palavras estão borradas e suas letras descem em longos fios, desfazendo as frases, mas formando pequenas poças sem sentido... A chuva quando desce, não precisa ter sentido: basta somente ser chuva.
Imagem: postcard from London by Phillip D.H. Short
giovedì 13 ottobre 2011
Construção

Família
Quem sou eu?
De onde vim?
Quem foram meus ancestrais?
Carrego dentro de mim
A herança dos meus pais
Que por sua vez receberam
Os genes de meus avós.
Eram a minha família.
Gerações me antecederam
Longe,
Longe
Bem longe,
Sumiram
Nas eras imemoriais.
Meus filhos, netos, bisnetos
Também se questionarão
Quem sou eu?
De onde eu vim?
Procurarão no olhar,
No jeito de ser,
No falar,
Traços dos antepassados
Ou qualquer coisa de mim.
A hereditariedade,
As descendências,
Irão se expandindo,
Séculos,
Séculos,
Séculos,
Mais séculos virão,
E os que me sucederem
No infinito dos tempos
Continuarão conduzindo
Os genes que eram meus.
Serão a mesma família
Abençoada por Deus.
Construção
A construção
Da casa vizinha
Está demorando
Para ser concluída.
Estou passando um sufoco,
Aguentando a britadeira
Com seu barulho infernal,
Caminhão a toda hora
Trazendo material,
Coitados dos meus ouvidos
Começaram a escutar mal.
Procurei um otorrino
Que após fazer um exame,
Falou que eu não tinha nada
Voltaria a escutar bem
Depois da obra acabada.
Tenho asma e a poeira
Deixou-me asfixiada,
Mal podia respirar.
(Até parece piada!)
Fui ao pneumologista
Que falou com voz pausada;
“- A asma só vai embora
Depois da obra acabada”
Fui ao neurologista
Com a cabeça atormentada,
Mandou-me ao psiquiatra
Pois eu estava pirada,
Esse, nem me ouviu!
Disse que eu voltasse lá
Depois da obra acabada.
Derrubaram meus ciprestes
E a dona da construção
Ordenou erguer um muro
Nem me deu satisfação
Chorei muito e adquiri
Uma bruta taquicardia.
Com a alma amargurada
Busquei um cardiologista
Para ver o que havia.
Disse que eu estava estressada
E só sentiria alivio
Depois da obra acabada.
Pedreiros da construção
Tiraram a privacidade
Da nossa casa, por isso
Ela está sempre fechada.
A conta da luz cresceu
Foi uma baita aumentada
E só vai diminuir
Depois da obra acabada.
Conversei com a vizinha,
A dona da construção,
Mostrei meu prejuízo
Pedi indenização
Respondeu que não pagava
Não tinha dinheiro, não!
Retruquei, vá ao cartório
Passe a casa no meu nome
Está resolvida a questão.
Como tenho paciência
E sou muito sossegada
Sei que o pagamento vem
Depois da obra acabada.
Vida
Os prótons, os elétrons,
O átomo,
A bactéria,
Micro organismo
Unicelular.
O ar, a poeira,
A terra, a areia,
Planetas, cometas,
Estrelas brilhantes,
O cintilar da faísca,
O fogo flamejante,
Que arde e abrasa,
A luz.
O orvalho trêmulo,
Delicado.
O mar imenso, belo,
Magnificente,
A água.
A grama humilde,
Rasteira,
A árvore soberba,
Altaneira.
Flores e frutos,
Pássaros e peixes,
Insetos e animais.
O homem
Senhor poderoso
Entre os irracionais.
Teu nome é vida,
És mistério,
Enigma, sim,
Pois vieste do verbo
Que não teve princípio
E nem há de ter fim.
*Poemas de Carminha Medeiros, minha avó
imagem: Marc Chagall, "Red Bouquet"
martedì 4 ottobre 2011
Quando uma estrela cai...

Uma estrela caiu do céu
ao escorregar das mãos do anjo
que todos os dias dava-lhe brilho.
Tamanha foi sua carreira
que arranhou um pedaço do céu.
Os meninos lá na Terra,
que conferiam o trabalho do anjo,
olharam por todas as bandas,
mas não acharam sequer um rabo.
-Onde ela caiu? Onde se escondeu?
O anjo, já conformado
com a ida da estrela fujona,
respondeu-lhes:
-Quando uma estrela cai,
é porque decidiu receber
novo brilho de outras mãos.
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